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Comissão dos EUA aprova proposta que pode barrar entrada do ministro Alexandre de Moraes no país

Projeto precisa passar pelo plenário da Câmara e pelo Senado americano antes de virar lei.

Ministro do STF, Alexandre de Moraes (foto: Agência Brasil/Marcelo Camargo)

A Comissão Judiciária da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos (EUA) aprovou ontem, dia 26, um projeto de lei para proibir a entrada no país, além de permitir a deportação, de autoridades estrangeiras que supostamente violem a primeira emenda da Constituição norte-americana, que proíbe limitar a liberdade de expressão.

 

Entre os motivos para justificar a aprovação da medida, estão a atuação da União Europeia contra a desinformação nas redes socais, e o trabalho do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) brasileiro, Alexandre de Moraes, por determinar a suspensão de contas investigadas por crimes nas redes sociais. Na prática, a lei pode barrar a entrada de Moraes nos EUA e, inclusive, deportá-lo. 

 

Denominada de ‘Lei Sem Censura em Nossas Costas’, a medida foi apresentada pelo deputado republicano Darrell Issa, do partido do presidente americano Donald Trump. Agora, o projeto segue para análise do plenário da Câmara. “Censure um cidadão americano e você não será bem-vindo aqui ou será mandado embora”, afirmou o deputado Issa. 

 

Apesar da comissão ser controlada pelos republicanos, a proposta teve o apoio do deputado democrata Jamie Raskin. Durante a sessão, os parlamentares reproduziram o discurso dos investigados por tentativa de golpe de Estado no Brasil, que alegam sofrer perseguição e censura à liberdade de expressão.

 

“O juiz Moraes ordenou que a Rumble, uma popular plataforma de compartilhamento de vídeos com sede na Flórida, fosse ‘suspensa’ no Brasil depois que ela também se recusou a cumprir a ordem de Moraes de censurar um residente e jornalista dos EUA”, informo em uma rede social a Comissão da Câmara americana. Segundo o colegiado, “se um juiz brasileiro pode ordenar que empresas americanas censurem a fala de residentes nos EUA, a liberdade de expressão americana está em risco”.

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UNIÃO EUROPEIA

 

“Mas a ameaça estrangeira ao discurso americano não vem apenas do Brasil. A União Europeia também tentou censurar o discurso americano”, disse o colegiado. Os perfis com contas suspensas no Brasil, ou com pedidos de suspensão, estão envolvidos nos inquéritos que apuram crimes como a abolição violenta do Estado democrático de direito e golpe de Estado, que estão tipificado na Lei 14.197 de 2021. 

 

Desde o início das investigações sobre a tentativa de golpe de Estado e os ataques ao STF, por meio, principalmente, do inquérito das Fake News, os investigados e seus aliados têm buscado articular apoios nos EUA para deslegitimar as apurações da Justiça brasileira. Os deputados aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro chegaram a viajar a Washington para denunciar uma suposta censura nas redes sociais do Brasil.

 

Após a denúncia por golpe de Estado contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, mídia ligada à Trump, entre elas, a Rumble, entrou com uma ação no Tribunal da Flórida contra Moraes por suposta censura, mas a liminar foi negada pela justiça local. O outro alvo da proposta, a União Europeia, tem criado leis para impedir crimes no ambiente digital, o que é visto por políticos estadunidenses e as big techs sediadas no país como censura. 

 

A Meta, que controla o Instagram, Facebook e o Whastapp, anunciou a intenção de se aliar com Trump para combater países que regulem as redes sociais.

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