Entre o Ser e o Sentir

Ludimila Ribeiro

Psicóloga especializada em Fenomenologia Existencial, atuando no tratamento de depressão, ansiedade, fobias, angústia, vazio existencial, perda de sentido da vida, dificuldades afetivas e orientação à maternidade. Contato: psico.ludimilaribeiro

Afinal, para onde você está indo?

Quantas vezes você já se pegou seguindo um caminho que não escolheu de verdade? Aceitando oportunidades que não fazem sentido, tomando decisões para agradar os outros ou simplesmente deixando a vida te levar? Em meio a tantas possibilidades, cobranças e excessos ao qual estamos rodeados, é fácil se sentir perdido, e quando não sabemos para onde queremos ir, qualquer direção parece servir – mesmo que nos afaste de quem realmente somos.

 

Você já deve conhecer essa famosa frase proferida em Alice no País das Maravilhas: “Para quem não sabe aonde vai, qualquer caminho serve”. Ela revela justamente esse risco. Quando não nos permitimos olhar para dentro e buscar nossas próprias respostas, acabamos deixando que as circunstâncias ou outras pessoas decidam por nós. O medo da incerteza pode nos paralisar e, sem perceber, passamos anos vivendo de acordo com expectativas alheias, apenas reagindo ao que aparece. Com isso, surge uma sensação de estar perdido, e isso não vem da falta de opções, mas da dificuldade de se conectar com o que realmente importa para nós.

 

O excesso de caminhos pode ser um problema

 

Vivemos em uma época onde as possibilidades parecem infinitas. Há inúmeras carreiras a seguir, estilos de vida a escolher, padrões que exigem que nos encaixemos em determinados lugares, relações a construir e exigências a cumprir. Esse excesso de opções, que poderia nos dar mais liberdade, muitas vezes nos aprisiona na indecisão. Se podemos ser qualquer coisa, o que realmente queremos ser? Se podemos ir a qualquer lugar, como decidir qual destino faz sentido?

 

Muitas vezes, por medo de errar ou de fazer a escolha “errada”, nos acomodamos no que já está posto e acabamos escolhemos um trabalho porque foi o que apareceu primeiro, permanecemos em lugares que já não nos fazem bem porque mudar dá trabalho, seguimos padrões porque são mais fáceis do que questioná-los. Sem perceber, estamos apenas nos deixando levar, sem a consciência de que essa também é uma escolha.

 

Mas será que existe um único caminho certo? E se a verdadeira questão não for encontrar um destino exato, mas aprender a caminhar de maneira mais intencional?

 

A verdade é que ninguém tem todas as respostas e o que diferencia aqueles que encontram um sentido no caminho, daqueles que vivem perdidos não é a certeza absoluta sobre o futuro, mas a disposição para se escutar e fazer escolhas alinhadas com seus valores.

 

O primeiro passo pode ser olhar para dentro, se questionar sobre o que realmente faz sentido para você. Essa resposta pode não surgir de imediato, e tudo bem. O importante é se abrir para essa escuta interna, permitindo-se testar, errar, ajustar rotas e, principalmente, reconhecer que ninguém pode trilhar esse caminho por nós.

 

Permitir-se escolher é um ato que é e quer disposição para assumir a responsabilidade pelas próprias decisões e compreender que o erro faz parte do processo. Afinal, só quem caminha está sujeito a tropeços. O que não podemos fazer é ficar paralisados por medo da incerteza.

 

Quando nos conectamos com aquilo que realmente valorizamos, o caminho deixa de ser uma obrigação e passa a ser um processo de construção.

 

Sobre mudanças de caminhos

 

O que faz sentido hoje pode não fazer sentido amanhã, e isso é natural. Não há problema em mudar de rota, refazer escolhas ou até mesmo parar por um tempo para refletir. O importante é que esse processo de mudança e redirecionamento é, na verdade, um sinal de que estamos vivos, conscientes e abertos ao que a vida nos oferece.


Às vezes, é necessário perder-se para encontrar o caminho que realmente faz sentido para você. Não existe um único destino, mas sim um conjunto de escolhas que, ao longo da vida, irão construir quem você é e quem você deseja se tornar.

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