À ordem

Ernani Spagnuolo

Advogado, Cientista Jurídico, Político e Social. Instagram: @uadvogado. As opiniões constantes neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião deste portal e de seus patrocinadores.

Deu a louca na Câmara Municipal

A Câmara Municipal de Patos de Minas divulgou o resultado do Processo Seletivo Simplificado nº 02/2025. A publicação foi feita no Instagram com comentários desativados para evitar as críticas dos candidatos.

 

A casa do povo, em vez de ser exemplo de transparência, virou um manual de como não conduzir uma seleção pública.

 

O edital simplesmente aboliu a prova objetiva. Nada de medir conhecimento, preparo ou capacidade técnica. A seleção se resumiu a uma simples “análise de títulos e experiência profissional”.

 

E para piorar: no ato da inscrição, não havia campo para anexar títulos. Coisa de amador feita em formulário gratuito na internet.

 

Resultado: cerca de 90% dos candidatos foram eliminados, não por falta de mérito, mas porque o próprio sistema inviabilizou a comprovação. 

E, como se não bastasse, 100% dos recursos foram rejeitados.

 

No resultado final, quase todos os habilitados ficaram com 10 pontos.

 

E como a Câmara resolveu desempatar? Pela data de nascimento.

 

Na prática, o processo virou uma corrida contra o tempo: quanto mais velho, mais chance de ficar na frente.

 

Imagine perder uma vaga porque nasceu em 1990 e não em 1989. Esse foi o critério “técnico” adotado.

 

Um critério que não tem relação alguma com eficiência ou competência.

 

A Constituição Federal (art. 37) exige que a administração respeite legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência.

 

O que se viu foi a legalidade comprometida por um edital contraditório e mal estruturado; a impessoalidade destruída por um sistema de inscrição desigual; a moralidade reduzida a meras formalidades burocráticas; e a eficiência enterrada pelo critério mais absurdo de todos: a idade do candidato.

 

Porém não se trata de detalhe burocrático.

 

Estamos falando de contratações pagas com dinheiro público.

 

Aceitar um processo seletivo assim é normalizar o improviso como política de gestão e abrir espaço para contratações por conveniência a até precarização do serviço público.

 

Se esse é o padrão da Câmara, não é o candidato que está fora de lugar. É a própria Câmara Municipal que perdeu o senso de responsabilidade institucional e que, diante desses resultados, foi desclassificada. 

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