Ozório Corrêa, além de ter sido uma pessoa muito querida na cidade, pai do famoso Ti-Ray e da dona Galdina, fez parte de uma peça de teatro, quando rapazinho.
No andamento de um ato, um senhor está batendo em uma criança. Então, é chegada a hora de Ozório Corrêa participar, dizendo:
– Para! Se ousares bater nesta criança, eu saco da minha pistola e te dou um tiro na cabeça!
Entretanto, o Ozório não aceitava dizer a palavra pistola e argumentava:
– Acho que é imoral falar esse nome em público. Sugiro substituí-lo por garrucha, revólver, arma, cartucheira, baioneta, fuzil, carabina, rifle. Mas PISTOLA, não!
Mediante a decisão do diretor do espetáculo, de não mudar o texto original, Ozório Corrêa pensa uns dois dias e decide não complicar a peça.
Procurou decorar bem o seu texto para o dia da estreia, mas sempre com a preocupação de ter que falar a tal palavra.
E a estreia chegou!
O público repleto da mais alta sociedade da cidade – senhores, senhoras, rapazolas e pálidas donzelas – aguardava o espetáculo.
É dado início à peça!
E quando chega o momento do Ozório participar, ele, solenemente, diz:
– Para! Se ousares bater nesta criança, eu saco da minha garrucha, e te dou um tiro na cabeça da pistola!