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Para muitos, parece o caminho natural. Mas, e se eu te dissesse que esse pode ser o maior erro estratégico da carreira do nobre Senador?
E falo isso com a tranquilidade de quem sabe que existe uma diferença brutal entre cobrar e ser cobrado. A vocação do Cleitinho é o barulho. É o Legislativo. Ele é o fiscal, o homem do microfone, aquele que exige que a máquina funcione.
Ele é o martelo do legislativo.
No Senado, ele tem a liberdade da oposição e a força da denúncia. Ele é a voz de quem está indignado.
O problema é que, no Governo, o papel inverte. Você deixa de ser quem aponta o erro para ser o dono do erro.
Governar exige burocracia, articulação de bastidor e, principalmente, paciência com a lentidão do sistema.
Como alguém que vive de expor a demora vai justificar a própria demora? Como o ‘homem do povo’ vai reagir quando o povo for à porta dele cobrar a promessa que a caneta não conseguiu assinar?
O risco aqui não é ele perder a eleição. O risco real é ele ganhar.
Um perfil de fiscal, quando vira vidraça, costuma estilhaçar rápido. Se eleito, Cleitinho pode descobrir, da pior forma, que quatro anos de paralisia administrativa apagam dez anos de carisma parlamentar.
Ao querer ser o capitão do navio, ele corre o risco de afundar a única coisa que o trouxe até aqui: a sua autenticidade.
Os números ajudam a entender o tamanho desse dilema: hoje, Cleitinho Azevedo aparece liderando as intenções de voto para o Governo de Minas com cerca de 30% a 32,7%, segundo levantamentos da Genial/Quaest e da AtlasIntel, enquanto impressionantes 86% dos mineiros ainda não declararam voto espontâneo o que significa que a eleição está aberta, mas também que a expectativa será gigantesca sobre quem vier a vencer.
E é justamente aí que mora o risco: transformar capital político de indignação em responsabilidade administrativa é o teste mais duro da vida pública.
Talvez até mesmo o teste final.
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