À ordem

Ernani Spagnuolo

Advogado, Cientista Jurídico, Político e Social. Instagram: @uadvogado. As opiniões constantes neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião deste portal e de seus patrocinadores.

Todos são iguais, mas alguns são mais iguais que outros; o que a distribuição do fundo eleitoral conta sobre PT e PL

A igualdade é uma coisa linda até chegar a hora de abrir a carteira.

 

Historicamente, o PT construiu sua identidade prometendo combate à concentração e justiça social. Mas uma reportagem de O Fator sobre a divisão do fundo eleitoral do partido em Minas Gerais mostrou que a prática é outra.

 

E os próprios petistas estão chiando.

 

O partido criou uma espécie de “campeonato de várzea interno“. No topo, nove candidatos prioritários à Câmara dos Deputados vão levar R$ 1,8 milhão cada. Os demais ficaram nas divisões inferiores, com fatias bem menores.

 

Do ponto de vista eleitoral, a lógica faz sentido: irrigar quem já tem mandato, estrutura e mais chances de vitória. É puro pragmatismo. O problema é que isso tem outro nome fora do diretório: concentrar recursos em quem já tem vantagem.

 

Trata-se exatamente da dinâmica que o discurso de esquerda condena no mercado. Na economia, chamam de desigualdade, enquanto no fundo eleitoral é estratégia.

 

Não é a oposição nem a direita que estão reclamando. São os próprios candidatos preteridos, indignados com os critérios da direção estadual.

 

Afinal, qualquer um apoia a redistribuição de renda até descobrir que ficou com uma fatia pequenininha do bolo.

 

Não há ilegalidade em focar nos mais competitivos, mas a contradição salta aos olhos.

 

Na teoria, prega-se a igualdade. Na hora do Pix, adota-se a meritocracia.

 

No fim das contas, a direita parece mais com a esquerda do que gosto de admitir.

 

Pelo menos o PL vai distribuir seu fundo eleitoral com um único critério: quem já tem cargo ganha mais do que quem não tem.

 

Essa contradição escancara uma verdade amarga sobre a nossa política: o discurso de igualdade dura exatamente até o momento em que a verba cai na conta.

 

Seja à esquerda ou à direita, o sistema eleitoral brasileiro é desenhado para perpetuar quem já está no topo.

 

A única novidade aqui é ver o PT aplicando, dentro de casa, a mesmíssima lógica de privilégios que passa a vida inteira prometendo combater.

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