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A igualdade é uma coisa linda até chegar a hora de abrir a carteira.
Historicamente, o PT construiu sua identidade prometendo combate à concentração e justiça social. Mas uma reportagem de O Fator sobre a divisão do fundo eleitoral do partido em Minas Gerais mostrou que a prática é outra.
E os próprios petistas estão chiando.
O partido criou uma espécie de “campeonato de várzea interno“. No topo, nove candidatos prioritários à Câmara dos Deputados vão levar R$ 1,8 milhão cada. Os demais ficaram nas divisões inferiores, com fatias bem menores.
Do ponto de vista eleitoral, a lógica faz sentido: irrigar quem já tem mandato, estrutura e mais chances de vitória. É puro pragmatismo. O problema é que isso tem outro nome fora do diretório: concentrar recursos em quem já tem vantagem.
Trata-se exatamente da dinâmica que o discurso de esquerda condena no mercado. Na economia, chamam de desigualdade, enquanto no fundo eleitoral é estratégia.
Não é a oposição nem a direita que estão reclamando. São os próprios candidatos preteridos, indignados com os critérios da direção estadual.
Afinal, qualquer um apoia a redistribuição de renda até descobrir que ficou com uma fatia pequenininha do bolo.
Não há ilegalidade em focar nos mais competitivos, mas a contradição salta aos olhos.
Na teoria, prega-se a igualdade. Na hora do Pix, adota-se a meritocracia.
No fim das contas, a direita parece mais com a esquerda do que gosto de admitir.
Pelo menos o PL vai distribuir seu fundo eleitoral com um único critério: quem já tem cargo ganha mais do que quem não tem.
Essa contradição escancara uma verdade amarga sobre a nossa política: o discurso de igualdade dura exatamente até o momento em que a verba cai na conta.
Seja à esquerda ou à direita, o sistema eleitoral brasileiro é desenhado para perpetuar quem já está no topo.
A única novidade aqui é ver o PT aplicando, dentro de casa, a mesmíssima lógica de privilégios que passa a vida inteira prometendo combater.
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