À ordem

Ernani Spagnuolo

Advogado, Cientista Jurídico, Político e Social. Instagram: @uadvogado. As opiniões constantes neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião deste portal e de seus patrocinadores.

A República das Conveniências: como um povo pode ser tão conivente?

Dizem que na política pode tudo, menos perder. Essa frase que ouvi de um grande amigo que havia ouvido do seu pai atravessa gerações e ecoa justamente nas campanhas politicas em curso no país.


A verdade interessa menos do que as narrativas que prejudicam os adversários.


Enquanto uma banda do STF articula um TSE paralelo, atropelando a Justiça Eleitoral com decisões monocráticas, outra banda assiste complacente o espetáculo circense que é a política brasileira.


O Brasil é o reino da insegurança jurídica. Ela pinga da caneta dos magistrados e do chefe do poder executivo.


Amanhecemos com as bets e apostas liberadas no Brasil, adormecemos com uma proibição vinda exatamente de quem a havia liberado.


O supremo Dino que combatia ferozmente as fake news, hoje é um defensor da liberdade de expressão. Só falta escrever que a liberdade de expressão é ampla geral e irrestrita, mas só quando a expressão vem a favorecer o companheiro Lula.


O Brasil não é para amadores, mas é governado, julgado e mantido por eles.


Vivemos no único país onde o remédio e o veneno são vendidos pelo mesmo balcão, assinados pela mesma caneta e celebrados pela mesma claque.


Esperar que a salvação venha de Brasília, das instâncias superiores ou de decretos de ocasião, é acreditar na ilusão conveniente de que o algoz mudará de ideia no meio do espetáculo.


Portanto, a maior tragédia da nossa política não é a existência de quem a domina, mas a passividade com que nos acostumamos a ser a plateia do nosso próprio desastre.


Se existe alguma chance de resgate dessa terra transeunte, ela depende exclusivamente da única força capaz de parar o circo: o próprio brasileiro tomar consciência de que só ele pode se salvar dos brasileiros que hoje mandam no país.  

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