
O processo de transição governamental em Minas Gerais começou com um anúncio de peso para a área de segurança pública. Na terça-feira (06), durante a primeira reunião de secretariado focada na passagem de bastão para o governo do eleito Cleitinho Azevedo (Republicanos), o governador Mateus Simões (PSD) confirmou que todos os candidatos excedentes dos concursos vigentes da Polícia Civil e da Polícia Penal serão nomeados.
Além disso, Simões garantiu a abertura de um novo concurso público com 3 mil vagas para a Polícia Civil até o término do seu mandato. A ampliação do efetivo policial era uma promessa defendida pelo governador desde o período de campanha, com sinalizações feitas nos últimos meses. Segundo o chefe do Executivo, a medida visa assegurar a estabilidade operacional do Estado e aproveitar o contingente de profissionais já aprovados.
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HISTÓRICO DE TENSÕES
O movimento do Palácio Tiradentes ocorre após um longo histórico de tensões e desgastes acumulados com as corporações de segurança do estado. A recomposição de pessoal e o aproveitamento integral das listas de excedentes vinham sendo reivindicados com frequência por sindicatos e entidades de classe, que alertavam para o grave déficit de investigadores, escrivães, delegados e policiais penais nas delegacias e presídios.
A crise institucional na segurança mineira não se limitou à falta de pessoal. Em maio de 2025, um severo contingenciamento de gastos imposto pelo Executivo resultou em restrições severas na rotina da Polícia Civil. Na época, denúncias do Sindicato dos Policiais Civis revelaram que o abastecimento de viaturas foi racionado para apenas cinco vezes ao mês.
As diretrizes operacionais de austeridade incluíam recomendações polêmicas, como evitar o uso de ar-condicionado em áreas urbanas e economizar na troca de marchas dos veículos para poupar combustível. Historicamente, a gestão estadual justificava a lentidão para liberar novos editais e convocações com base nos limites impostos pela Lei de Responsabilidade Fiscal e nas amarras econômicas ligadas à renegociação da dívida pública de Minas com a União.
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