Saúde

Anvisa aprova cultivo de cannabis medicinal por pessoas jurídicas no Brasil

Farmácias de manipulação poderão vender produtos à base da planta.

Foto: TV Brasil/Agência Brasil

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou, esta semana, resolução que amplia o uso de terapias à base de cannabis. Com a norma, fica autorizada a venda do canabidiol em farmácias de manipulação e o cultivo da planta no país – por pessoas jurídicas – voltada para a fabricação de medicamentos e outros produtos aprovados. Nesse caso, a produção é restrita, compatível com a procura pelos itens e conforme indicado pelas empresas à Anvisa.

 

A Anvisa pretender criar e coordenar um comitê, integrado pelos Ministérios da Justiça, da Saúde e da Agricultura e Pecuária. Essa instância ficará incumbida de manter ações permanentes de controle e assegurar fiscalização e segurança em todas as etapas de produção. Com a nova resolução do órgão, também fica permitida a comercialização de medicamentos usados via bucal, sublingual e dermatológica.

 

Também fica permitida a importação da planta ou do extrato para a fabricação de medicamentos. Foi decidido ainda um limite de até 0,3% de THC (Tetrahidrocanabinol), composto da planta, tanto para materiais importados como para adquiridos. O THC é usado para tratamento de pessoas que vivem com diversas doenças debilitantes e crônicas.

 

As mudanças nas regras do uso da cannabis no país atendem a pedido do Superior Tribunal Federal (STF) que, no fim do ano passado, determinou que a Anvisa regulamentasse o uso da planta, desde que com fins medicinais.

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ADERÊNCIA À CANNABIS

 

Apesar dos obstáculos para obtenção dos remédios à base de cannabis, o Brasil soma 873 mil pessoas em tratamento, segundo o anuário da Kaya Mind, de 2025. O número é recorde e aparece após uma curva ascendente, ano após ano. No total, há 315 associações provedoras de cannabis medicinal, das quais 47 conquistaram avanços judiciais para cultivo. Ao todo, foram identificadas pela Kaya Mind 27 hectares de plantio mantido por essas organizações.

 

O faturamento anual também é uma demonstração da maior aceitação desse tipo de substância. Em 2025, houve uma alta de 8,4% na comparação com 2024, chegando a R$ 971 milhões. Por seu potencial de mercado, o Brasil sedia a ExpoCannabis, que ano passado, realizou sua terceira edição.

 

A proporção é de cerca de 2,7 médicos que prescrevem medicamentos canábicos para cada 10 mil pacientes, com média que fica entre 5,9 mil e 15.100 profissionais da saúde receitando mensalmente. Se entre médicos tem havido popularização, dentistas têm tido mais resistência. Apenas 0,2% deles os indicam aos pacientes que atendem.

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