Saúde

Brasil tem 575 mil médicos: número de mulheres na profissão cresce e desigualdade entre regiões persiste

Dados da pesquisa indicam que há 389 escolas médicas espalhadas pelo país – o segundo maior número no mundo, atrás apenas da Índia.

Foto: Wilson Dias/Agência Brasil

O Brasil contabiliza, atualmente, 575.930 médicos ativos, uma proporção de 2,81 profissionais por mil habitantes, a maior já registrada no país. Os dados fazem parte de um levantamento feito pelo Conselho Federal de Medicina, divulgado neste dia 8. Desde o início da década de 1990, o número de médicos mais que quadruplicou, passando de 131.278 para a quantidade atual. No mesmo período, a população brasileira aumentou 42%, passando de 144 milhões para 205 milhões, segundo dados do IBGE.

 

O número de médicos, portanto, aumentou oito vezes mais do que o da população em geral. Entre 1990 e 2023, a classe médica cresceu 5% ao ano, contra aumento médio de 1% ao ano identificado na população em geral. A maior progressão no volume de médicos ocorreu de 2022 a 2023, quando o contingente saltou de 538.095 para 572.960 – alta de 6,5%. Com índice de 2,8 médicos por mil habitantes, o Brasil tem hoje taxa semelhante à registrada no Canadá e supera países como EUA e Japão.

 

Dados da pesquisa indicam que há 389 escolas médicas espalhadas pelo país – o segundo maior número no mundo, atrás apenas da Índia. A quantidade de faculdades de medicina no Brasil quase quintuplicou desde 1990, quando o total chegava a 78. Nos últimos dez anos, a quantidade de escolas médicas criadas (190) superou o total de todo o século passado.

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DESIGUALDADE E PERFIL

 

Apesar do significativo aumento no contingente de médicos brasileiros, o CFM considera que ainda há um cenário de desigualdade na distribuição, na fixação e no acesso aos profissionais. Os números mostram que a maioria dos profissionais opta por se instalar nos estados do sul e do sudeste e nas capitais, devido às condições de trabalho. Os que vivem no norte, no nordeste e em municípios mais pobres relatam falta de investimentos em saúde, vínculos precários de emprego e ausência de perspectivas.

 

Em relação ao perfil da classe, a idade média dos médicos em atividade no Brasil é 44,6 anos. Entre os homens, a idade média é 47,4 ano. Já para as mulheres, 42 anos. Observa-se também uma diferença no tempo de formação entre os gêneros: em média, os médicos têm 21 anos de formados, enquanto as médicas têm 16 anos. Em 2023, os homens ainda representavam a maioria entre os médicos com até 80 anos, respondendo por 50,08% do total, enquanto as mulheres representavam 49,92%.

 

Em 2024, a estimativa é que o número de médicas ultrapasse o de médicos. Atualmente, entre os médicos com 39 anos ou menos, as mulheres já constituem maioria, representando 58% em comparação a 42% dos homens.

 

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