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A política tolera a corrupção e a incompetência, mas massacra o covarde que tenta se fantasiar de corajoso. Quem se dispõe a subir no palco das decisões majoritárias deveria saber uma regra básica: convicção não se simula com vídeos indignados em redes sociais. Ou quer, ou não quer.
Nas últimas semanas, o senador Cleitinho Azevedo ofereceu a Minas Gerais um espetáculo melancólico de hesitação. O recuo e o consequente descarte de sua pré-candidatura ao Governo do Estado não foram um sobressalto de bastidor, mas o desfecho natural de quem prefere o conforto do ruído ao peso da responsabilidade.
O diagnóstico do próprio partido veio sem o verniz habitual das notas oficiais. Ao declarar que “uma candidatura exige, antes de tudo, a decisão firme de quem pretende disputá-la” e que tal compromisso “jamais pode ser substituído por sinais contraditórios, sucessivos recuos ou indefinições”, a cúpula da legenda apenas traduziu o óbvio: não dá para construir um projeto coletivo com quem não sabe o que quer ser quando crescer.
Um homem que titubeia diante do próprio destino político passa longe da estatura de liderança; não passa, em verdade, de um menino assustado com o tamanho do tabuleiro.
Como bom e ruidoso fã de futebol, Cleitinho parece ter passado o tempo todo cavando uma falta no meio de campo.
A estratégia era evidente e um tanto primária: se a candidatura vingasse, ele se apresentaria como o escolhido para uma “missão espiritual” quase messiânica; se naufragasse pelo próprio desinteresse, posaria de vítima de um sistema partidário cruel e calculista.
O problema de passar o jogo inteiro se jogando no chão para impressionar a torcida é que, uma hora, até o árbitro percebe a farsa e manda o jogo seguir.
A política de resultados não se faz com piruetas retóricas ou dramas calculados para consumo rápido em tela de celular. Governar um Estado das dimensões e complexidades de Minas Gerais exige espinha dorsal, hombridade, clareza ideológica e coragem para arcar com o ônus das escolhas.
Quem se esconde atrás de ambiguidades para não perder o aplauso de nenhum lado acaba descobrindo, tarde demais, que perdeu a credibilidade de todos.
O Republicanos não descartou apenas um nome; descartou a postura de quem trata a gestão pública como um palco de encenações infantis. Cleitinho fica onde a indecisão o colocou: com o microfone na mão, mas sem o projeto na cabeça.
E Minas, que já viu líderes de verdade moldarem a história do país, certamente não tem tempo a perder com quem hesita até para decidir o próprio papel. Um homem de verdade sabe o que quer.
Cleitinho passou o jogo inteiro se jogando no chão, cavando falta e olhando para a arquibancada.
No final, desqualificado pelo próprio time, foi para a imprensa chorar dizendo que ‘queria jogar‘. A política não é palco para coitadismo.
Se a direita perder Minas Gerais, a culpa não é do sistema ou da oposição: é do jogador que, amedrontado pelo tamanho da responsabilidade, marcou um gol contra na própria biografia.
Mas, como no Brasil nada surpreende, se o partido voltar atrás, que Cleitinho seja eleito, e enterre sua carreira política.
Minas Gerais não tem tempo para homens feitos de geleia e gritaria. Cleitinho escolheu terminar como começou: com um celular na mão, um discurso vitimista na boca e a covardia carimbada na testa.
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