Editorial

Desconexão com a realidade na Câmara Municipal de Patos de Minas

Imagem ilustrativa: Pixabay

A mais recente sessão da Câmara Municipal de Patos de Minas evocou um sentimento de perplexidade na população. O que deveria ser um espaço de debate técnico e propositivo transformou-se em um bate-boca estéril e bizarro sobre a nomeação de uma rua no bairro Barreiro. A proposta de homenagear um cidadão sem qualquer ligação histórica ou afetiva com o município – irmão de políticos de Divinópolis – escancara uma profunda desconexão de parte do legislativo com as prioridades dos patenses.

 

O cerne da questão não reside no respeito à memória do falecido, cuja perda precoce para a leucemia é lamentável, mas sim nos critérios de relevância para o município. Patos de Minas possui uma história rica, construída por cidadãos locais, incluindo inúmeras vítimas do câncer e líderes comunitários que de fato moldaram a cidade e merecem ser eternizados em nossas vias públicas. Propor o nome de alguém que sequer vivenciou a realidade local carece de sentido prático e representativo. 

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A situação agravou-se quando a autoria do projeto, ao tentar defender a proposta, recorreu a um malfadado anacronismo. Comparar a indicação atual com a aprovação de uma via em homenagem a uma figura histórica polarizada, um revolucionário marxista do século XX, ocorrida no ano de 2014, foi um erro retórico que apenas rebaixou o nível do debate. O argumento do “se eles erraram no passado, eu posso errar agora” não é digno de quem ocupa uma função legislativa.

 

Enquanto duelos ocorriam sob a luz do dia, por conveniências políticas, picuinhas ideológicas, ou sabe-se lá o que, a população assistia atônita. Patos de Minas enfrenta desafios urgentes que demandam a atenção integral de seus representantes. A saúde pública clama por melhorias, o trânsito exige reestruturação, os índices de violência preocupam e a educação e os projetos sociais necessitam de investimentos urgentes.

 

A Câmara Municipal precisa resgatar sua verdadeira função. O povo patense não elegeu seus representantes para que transformassem o plenário em uma arena de vaidades ou de alinhamentos partidários externos. Espera-se maturidade, senso de prioridade e, acima de tudo, respeito com o dinheiro público e com o tempo de uma cidade que tem pressa por soluções reais.  

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