Advogada com 10 anos de experiência em advocacia cível, atuando em demandas de indenização, relações de consumo, contratos, negócios imobiliários, direito de família e sucessões. Atualmente, é Coordenadora Jurídica no Mírian Gontijo Advogados, onde presta assessoria preventiva a empresas e cooperativas, com foco na elaboração de contratos, pareceres e serviços administrativos junto a órgãos públicos.
Assim como no Direito, a vida tem seu tempo certo para cada coisa: agir, esperar, aprender e recomeçar.
Em meio à correria da vida moderna, somos constantemente levados a acreditar que produtividade é sinônimo de valor. Mas, há momentos em que a própria vida nos convida a desacelerar, lembrando que o tempo, também, é um instrumento de sabedoria e crescimento.
Vivemos tempos acelerados. A rotina corrida, as demandas incessantes e a busca constante por resultados nos fazem acreditar que estar sempre em movimento é sinônimo de progresso. Contudo, há momentos em que a vida, em sua sabedoria silenciosa, nos convida ou até nos obriga a parar.
Foi o que aconteceu comigo recentemente, quando, por motivo de saúde, precisei desacelerar. Nesse período de pausa, percebi que o tempo é, muitas vezes, o melhor mestre. Ele ensina paciência, fé e humildade. E, sobretudo, nos recorda que somos substituíveis no trabalho, mas nunca no amor. Nenhuma função, cargo ou profissão é capaz de preencher o espaço que ocupamos no coração daqueles que realmente nos querem bem.
Enquanto o corpo se recupera, o espírito aprende. Aprendi que confiar no processo e respeitar o tempo de cada coisa não é sinônimo de fraqueza, mas de sabedoria. É compreender que a vida também precisa de prazos, assim como o Direito.
No mundo jurídico, o tempo é uma das engrenagens mais importantes. Ele se manifesta em diversas formas: prazos processuais, prazos materiais, tempo para agir, tempo para aguardar o momento crucial de uma negociação, tempo de resposta, tempo de replicar, tempo de ouvir e tempo de falar. Cada um desses momentos exige discernimento e equilíbrio, porque agir antes da hora pode ser tão prejudicial quanto deixar o tempo passar sem ação.
O interessante é que, no Direito, o tempo não é igual para todos. No Direito Civil, os prazos costumam ser mais extensos, permitindo análises e reflexões mais detalhadas. No Direito Penal, o tempo pode significar liberdade ou reclusão, exigindo celeridade e precisão. Já no Direito Trabalhista, os prazos curtos refletem a urgência de garantir a subsistência e a justiça social. Em cada área, o tempo se revela sob uma perspectiva diferente, mas em todas elas, é crucial para o resultado.
Há situações em que o prazo mais curto representa a forma mais justa de aplicar o Direito. Em outras, o tempo mais longo, ou até permanente, é o que assegura a sensação de dever cumprido, de julgamento justo e equilibrado.
Não importa a perspectiva. Fato é que, o tempo, de modo plural, é a própria vida vivida e saber aproveitá-lo da melhor maneira é o que nos permite perceber a sensação de não apenas estar vivo, mas de realmente experimentar a vida e o que ela pode nos oferecer, em cada ato ou até omissão.
Assim como o processo jurídico requer fé na justiça e confiança nas instituições, a vida exige fé no propósito e confiança em Deus. Ambas pedem equilíbrio: saber o momento de agir e o momento de esperar, o tempo de argumentar e o tempo de silenciar, o tempo de lutar e o tempo de descansar.
Hoje, compreendo mais que a pausa também é parte do caminho. E que, enquanto o tempo faz sua obra, cabe a nós aprender a viver com leveza, acreditando que o melhor ainda está por vir, porque todo desafio, seja jurídico ou pessoal, traz consigo a oportunidade de nos tornarmos pessoas mais fortes, mais humanas e mais conscientes do que realmente importa.
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