
Documento estabelece que uso de arma de fogo deve ser feito como medida de ‘último recurso’.
Tem gerado bastante polêmica um decreto assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Natal. O documento estabelece diretrizes para o uso de armas para evitar a violência policial no país. Uma das principais medidas é a proibição do uso de arma de fogo contra pessoa desarmada que esteja em fuga ou contra veículo que desrespeite bloqueio policial. Governadores e parlamentares da oposição reagiram contra a decisão.
Conforme o decreto, o uso de arma de fogo deve ser feito como medida de “último recurso”. Dessa forma, armas só poderão ser usadas quando outros recursos de “menor intensidade não forem suficientes para atingir os objetivos legais pretendidos”. O texto também prevê que as ações policiais não deverão discriminar pessoas em razão da cor, raça, etnia, orientação sexual, idioma, religião e opinião política.
Em até 90 dias, o Ministério da Justiça vai editar uma portaria para detalhar os procedimentos que deverão ser adotados pelos policiais de todo o país. A pasta também prevê treinamento para os profissionais de segurança pública. O monitoramento do cumprimento das medidas será feito pelo Comitê Nacional de Monitoramento do Uso da Força, colegiado que será criado para fiscalizar a implementação do decreto.
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CRÍTICAS
As reações contrárias ao decreto partiram de várias frentes, conforme divulgaram os principais jornais do país. Entre os principais críticos à medida, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União), disse que o decreto é um “presente de Natal para o crime organizado”. Segundo ele, o texto promove o “engessamento” das forças, sendo uma “chantagem explícita contra os estados”.
Outro crítico foi o governador Ibaneis Rocha (MDB), do Distrito Federal. Comentou que as diretrizes estabelecidas pelo governo federal são inconstitucionais. “Quem faz segurança pública são os estados”, pontuou. Também reagiu de forma contrária o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro. Já o chefe do executivo de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), não se manifestou sobre o episódio até a manhã desta quinta (26).
Além de governadores, o decreto também foi alvo de críticas por parlamentares da oposição, como o senador Sergio Moro (União-PR) e a deputada Silvia Waiãpi (PL-AP). Para ambos, o foco do governo federal vai contra o combate ao crime.
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