
Pesquisa feita com 319 municípios no país indicou que nenhum tem desempenho satisfatório em igualdade de gênero.
Notícia divulgada pelo Instituto Socioambiental Tewá 225 traz triste fato para Patos de Minas. A cidade está entre as 10 piores de Minas Gerais para ser mulher. Foram avaliados 319 municípios do país, com mais de 100 mil habitantes, levando em consideração cinco indicadores: taxa de feminicídio, desigualdade salarial entre homens e mulheres, representatividade feminina no Legislativo, taxa de jovens mulheres que não estudam nem trabalham, e a diferença desse índice em relação aos homens.
No ranking, Patos obteve 31,8 pontos em escala de 0 a 100 – abaixo do considerado ideal. Foram analisados 34 municípios mineiros; 30 tiveram desempenhos ruins. Os piores foram: Araxá (24), Ituiutaba (28,6), Sabará (29,3), Poços de Caldas (29,7), Varginha (30,2), Sete Lagoas (30,4), Ipatinga (31,1), Betim (31,5), Vespasiano (31,7) e Patos de Minas (31,8). Apenas quatro tiveram pontuações um pouco melhores, porém insuficientes para sair da zona de alerta: Belo Horizonte, Juiz de Fora, Nova Lima e Nova Serrana.
A nível nacional, nenhuma das cidades avaliadas no país atingiu nível considerado “alto” de desempenho (pontuação de 60 a 79,99). Mais de 84% tiveram pontuação classificada como “muito baixa” (0 a 39,99), com média de apenas 34,5 pontos na escala de 0 a 100. Nenhum município brasileiro ultrapassou 54 pontos – desempenho em uma faixa de desenvolvimento “média” (de 50 a 59,99).
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MONITORAMENTO
O instituto responsável pela análise é formado unicamente por mulheres, sendo coordenado por Luciana Sonck, CEO da organização. O estudo, que avaliou 319 municípios, demonstra como cada cidade se classifica no cumprimento do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) número 5, que trata da igualdade de gênero e representa uma das metas da Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU).
“Somos uma organização formada 100% por mulheres. Vendo que faltam apenas seis anos para atingir o marco estabelecido (2030), entendemos que o ciclo de mandato dos próximos quatro anos será crucial para os municípios. A motivação da análise foi gerar dados substanciais para uma emulação positiva, ou seja, que as cidades, a partir da colocação no ranking, tivessem interesse em investir em mais políticas públicas de gênero”, afirma Luciana.
Em conformidade com a Agenda 2030 da ONU, o estudo teve como base o Índice de Desenvolvimento Sustentável das Cidades, ferramenta de monitoramento dos ODS nos municípios brasileiros. “O estudo parte do uso desse índice que mede o quanto cada município atinge a igualdade de gênero de acordo com parâmetros dos ODS. A análise normaliza cinco subindicadores com o mesmo peso na medição final. Eles são parametrizados para gerar uma nota, de 0 a 100, semelhante a indicadores como IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) e PIB (Produto Interno Bruto)”, explica Luciana.
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