
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Saúde da Câmara Municipal de Patos de Minas colheu, nesta terça-feira (13), os depoimentos de três gestoras da área, aprofundando as apurações sobre contratos, repasses financeiros e a distribuição de exames na rede pública. A oitiva focou em esclarecer possíveis desvios de conduta, a fiscalização de faturas e o volume de procedimentos concentrados em profissionais específicos.
Um dos eixos centrais do interrogatório foi a alta quantidade de avaliações de risco cirúrgico assinadas pelo médico Eduardo, cônjuge da ex-secretária municipal de Saúde, Ana Carolina. Ouvida na condição de testemunha, Ana Paula Pereira – ex-diretora de Regulação – argumentou que o profissional possuía maior capacidade de absorção de demanda e agilidade para atender aos chamados da Santa Casa, negando qualquer tipo de privilégio direcionado.
A ex-gestora também rechaçou a tese de interferência política ou familiar por parte da antiga titular da pasta. Ana Paula declarou aos vereadores que jamais recebeu diretrizes para favorecer clínicas ou médicos específicos e pontuou que o fluxo de encaminhamento seguia critérios técnicos, informatizados e alinhados às necessidades clínicas dos pacientes.
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PARCERIA COM O CISALP
As investigações tocaram ainda na parceria com o Consórcio Intermunicipal de Saúde do Alto Paranaíba (CISALP), ferramenta usada para desafogar exames de alta complexidade que o município não consegue realizar sozinho. Nesse ponto, os parlamentares questionaram a fragilidade de faturas enviadas pelo consórcio sem dados básicos, além de um documento de cerca de R$ 211 mil assinado por Betânia de Morais, que acumulou funções de gestora e fiscal.
Encerrando a rodada de oitivas do dia, a atual diretora de regulação, Miriam Aparecida Porto, relatou ao plenário que assumiu o cargo há cerca de dois meses e que já determinou a suspensão dos serviços prestados por alguns profissionais citados nas auditorias. Miriam frisou que não identificou problemas graves desde que ingressou na função, mas admitiu que o período de gestão ainda é recente e que novos credenciamentos estão em andamento.
Os depoimentos prestados integram os autos da comissão, que agora cruza as versões com notas fiscais, contratos e registros administrativos antes de emitir um parecer conclusivo. Até o desfecho dos trabalhos, as falas registradas em plenário possuem caráter de esclarecimento e não configuram, de forma isolada, a confirmação de ilegalidades.
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